domingo, 14 de dezembro de 2008

Caixinha de Certezas

Quem era?

Há sempre uma personagem em qualquer história, nem que seja só o narrador.

Mas nesta história, as personagens surgem de dia para dia...

Começa com um personagem, que gosta de outro...
De repente... apareceram do nada, assim como aparece uma luz de candeeiro.

Esse outro personagem, ele ou ela, pretende ignorar que aquele um, já tem uma vida formada...
Seja ele ou ela, ambos têm uma visão de futuro, já encomendada.

Mas, mesmo assim, irá tentar para seu belo proveito, retirar um dividendo do fracasso de uma relação que está prestes a partir-se, se mais abanada for. E era tão bom que se abanasse mais um pouco... até partir.

Os amigos, nascem assim. Com uma simples amizade desinteressada.. é o que se diz...
Uma amizade cúmplice, mas sem espinhos, uma amizade sem escrúpulos, uma amizade natural, como se qualquer um dos dois fosse livre, sem barreiras, mas uma amizade, sim... uma amizade muito pura...

Os amigos nasceram, estão aí para os bons momentos, para se satisfazerem a uns e a outros e para os maus momentos, para dar um ombro amigo, empurrar para cá as lágrimas e as consolações, para ver se tornamos este momento, numa ocasião muito feliz, com as amarguras a passarem como um abraço, por trás das costas...

Ninguém está aqui a dizer que isto é padrão, que o que está aqui a acontecer, acontece com todos, apenas aconteceu, mas apenas... em sonhos...

Não aconteceu mesmo.... só acontece com alguns.
Á medida que vamos descobrindo as falsidades, é que passa a acontecer com todos. Só depois é que a razão aparece. Até lá, todos metemos as mãos no fogo, todos nos atascamos até ao pescoço, até começarmos a ver que o fogo, não é senão, uma granda porcaria e.. afinal, estamos enterrados... numa grande poça de esterco!

Todos damos conselhos mesmo sem serem pedidos, contra toda a ética e moral, todos damos a nossa opinião, porque somos muito experientes na vida, aconselhamos para que haja melhor que a vida que temos. Será difícil, porque está construída, porque está segura e depois acabamos por reparar que aqueles conselhos, só servem... como barrete!

Existem aqueles amigos desinteressados, que só não se aproveitam das situações, se as outras situações não se proporcionarem.
Amigos... se um homem desabafa com uma mulher e ela se quer tornar muito amiga, interesses não faltam, porque uma amiga que é amiga, ou quer agradecer ao homem, ou ela quer agradecimentos.... mas isso são palavras e essas valem o ar que respiramos com algumas entoações, com rotação muito baixa, imperceptível... quem se importa?

Se é homem com homem, não há momento em que os teus desabafos, não se vão tornar numa boa conversa futebolística, num bare copos saudável ou até numas tais gajas conhecidas que nos farão esquecer os problemas...

Chega de não acreditar no ombro amigo.
Ele existe! O amigo verdadeiro! Porque é que uma conversa ou uma amizade mais tenra, tem de dar em pensamentos da carne? Porque se pensa com os dois pés atrás?

Chega de não aceitar que há amigos tolerantes, passivos, compreensivos, pacientes e desinteressados, sim desinteressados, é uma palavra do dicionário, ela existe.

A história para ser cativante, tem sempre de ter um romantismo de cortar à faca.

O que é certo é que a minha, também tem muito que se lhe diga, e muito mais haveria para dizer.

Não sei se vou dizer tudo, porque se disser, ainda vou acabar com os dedos decepados, já que a nossa mente, o que temos guardado na alma e muito mais arquivos no coração, ninguém nos pode tirar, senão for em conjunto com a vida.

Tudo o que sei, tudo o que sinto, tudo o que senti, dava para dar energia a uma central eléctrica atómica. A energia de um amizade incandescente...

Mas depois destas palavras... quem entende?
O que valem? Se para mim nada valem, o que valem para ti...
Valem apenas falta de coragem para assumir os erros e enfrentar a felicidade...

A amizade, pois isso.. era afinal um lenço branco que me acenava...